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Hanseníase: conscientizar a população e os profissionais da saúde é fundamental

No último domingo, dia 27, foi comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase. Durante todo o mês – conhecido como Janeiro Roxo –, ações chamaram a atenção da população e de profissionais de saúde para os sinais e sintomas da doença. As iniciativas também alertaram para a importância do diagnóstico precoce, do tratamento oportuno e de ações de controle da enfermidade.

Além disso, o combate ao estigma e à discriminação fez parte das ações do Dia Mundial. Por isso, nessa celebração foi lembrado que a hanseníase, marcada por um passado triste de discriminação e isolamento de pacientes, possui tratamento eficaz e pode ser curada.

É essencial a conscientização da população e também dos profissionais de saúde. Muitos mitos e preconceitos sobre a doença ainda confundem as pessoas, o que prejudica tanto a prevenção quanto o tratamento. Conhecer a enfermidade é fundamental para que o tratamento seja realizado de forma adequada.

Quanto antes a pessoa iniciar o tratamento, menores são as chances de surgirem incapacidades físicas, além de favorecer a interrupção da cadeia de transmissão. A hanseníase deixa de ser transmitida poucos dias após o início do tratamento. Além disso, foi reforçada a importância de que familiares, amigos e colegas de trabalho também sejam examinados.

Convivendo com a hanseníase
Marines Uhde, de 44 anos, sentiu as consequências do início tardio do tratamento. Ela começou a sentir os primeiros sintomas da doença em 2004, mas não sabia exatamente do que se tratava. “Eu sou enfermeira e sempre desconfiei que poderia ser hanseníase. Mas não tive as manchas características pelo corpo. Comecei a sentir muitas dores no braço e fiz vários exames na época, mas não identificaram nada. Com o passar do tempo, tive nervos afetados e fui recebendo diagnósticos errados”, lembra. O diagnóstico da enfermidade foi feito em 2012.

Além das dores e demais consequências da hanseníase, Marines teve que enfrentar a discriminação. “Eu me lembro de uma situação no trabalho. Quando eu disse que tinha a doença, uma colega se afastou de mim na hora. Deu um passo atrás. No meu caso, a enfermidade não causou incapacidades visíveis e não sofri tanto quanto outras pessoas. Mas sempre procurei falar muito no assunto, com o objetivo de conscientizar mesmo”, explica.

A hanseníase é transmitida por meio de tosse ou espirro, pelo convívio prolongado com uma pessoa doente sem tratamento. Ou seja, não se pega a enfermidade imediatamente ao ter contato com uma pessoa doente. Além disso, pessoas em tratamento não transmitem a doença.

Tratamento
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da hanseníase em unidades básicas de saúde e centros de referência. O tratamento da doença é realizado com poliquimioterapia, uma associação de antimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são realizadas pelo próprio paciente.

Marines fez todo o tratamento pelo SUS e foi considerada completamente curada no ano de 2014. Porém, o tempo de espera até a descoberta da doença deixou complicações permanentes. “Pelo tempo passado, perdi a força da mão, das pernas e dos braços. Ainda tenho dificuldades para realizar as atividades mais simples do dia a dia”, conta.

Por isso, a enfermeira orienta a todos a conhecerem a enfermidade e a procurarem um serviço de saúde se identificarem algum sintoma. “Para pessoas que suspeitam ter a doença, eu aconselho que procurem uma segunda opinião, para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Além disso, diria para elas que procurem saber mais sobre a hanseníase. Existe muito preconceito e o que elas mais precisam nesse momento é de apoio”, desabafa.


Uma doença histórica
A hanseníase é uma das doenças mais antigas do mundo. Os primeiros registros históricos da enfermidade remontam ao século 6 a.C. No passado, a hanseníase – à época chamada “lepra” – foi associada ao pecado, à impureza e à desonra. Além disso, narrativas religiosas associavam as marcas na carne aos desvios da alma. Por isso, a doença também está associada a muito preconceito e, durante anos, pessoas com a enfermidade foram duramente discriminadas e excluídas da sociedade.

Em uma tentativa de reduzir o estigma da doença, desde 1995, o termo “lepra” e seus derivados foram proibidos de serem empregados nos documentos oficiais no Brasil. A enfermidade foi batizada como hanseníase, em homenagem ao seu descobridor, o cientista norueguês Gerhard Hansen.

Saiba mais sobre a doença neste vídeo:

Fonte: Blog da Saúde/Ministério da Saúde