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Estigma e discriminação são obstáculos ao diagnóstico e tratamento da hanseníase nas Américas

Crédito da foto: OPAS

Embora os casos de hanseníase tenham diminuído em 30% nas Américas ao logo dos últimos 20 anos, a discriminação e o estigma em relação à doença continuam dificultando os esforços para impedir a sua transmissão, afirmou recentemente a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) chamou países a combater o preconceito com quem tem a enfermidade, a pôr fim a essa patologia que pode ser facilmente curada.

A cada ano, mais de 200 mil novos casos de hanseníase são detectados em todo o mundo, dos quais 80% ocorrem em três países: Brasil, Índia e Indonésia. A doença foi eliminada como problema de saúde pública em 23 países das Américas – isso significa que, nessas nações, há menos de um caso de hanseníase por cada 10 mil habitantes registrados para tratamento. Em 2017, 29.101 ocorrências da infecção foram registradas na região, mais de 93% delas no Brasil.

“Ao longo da história, as pessoas afetadas pela hanseníase continuaram sofrendo com o estigma e a discriminação”, aponta o diretor de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde da OPAS, Marcos Espinal. “Isso não apenas levou essas pessoas a não terem acesso à atenção, educação e até mesmo à liberdade de ir e vir, mas essa discriminação contínua significa que muitos ainda relutam em buscar tratamento médico até que os sintomas alterem sua vida de forma definitiva”, completa.

Na avaliação do especialista, “os países já fizeram avanços significativos na luta contra a hanseníase, mas agora precisamos concentrar esforços para manter esse progresso e eliminar a transmissão”. “O Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase deste ano – que foi lembrado em 27 de janeiro – foi um lembrete oportuno de que as atitudes são o último obstáculo a ser superado”, acrescenta Espinal.

Estratégia Global
A Estratégia Global para Hanseníase descreve três pilares gerais para garantir um mundo sem a doença, com zero transmissão, zero incapacidades e zero estigmas relacionados à enfermidade. Esses pontos se concentram em fortalecer a responsabilidade, coordenação e parcerias dos governos em deter a hanseníase e suas complicações e em acabar com a discriminação e promover a inclusão.

O plano também exige uma série de medidas para combater a discriminação vivida pelas pessoas afetadas pela doença. Entre as recomendações está a de assegurar que indivíduos com a infecção, assim como as comunidades, sejam incentivadas a participar ativamente dos serviços de atenção. A estratégia também pede que aqueles que possuem hanseníase tenham melhor acesso aos serviços de apoio social e financeiro.

Outras medidas incluem a promoção da reabilitação baseada na comunidade para pessoas com incapacidades relacionadas à infecção. O programa cobra, ainda, que leis discriminatórias sejam abolidas e políticas de inclusão sejam implementadas para os indivíduos que tiveram a enfermidade.


Fonte:
ONU