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Nossa história: “O Educandário” relata detalhes do dia a dia do Educandário Curitiba na década de 1950

O Educandário

Fotos por Camila Hampf

A Associação Eunice Weaver do Paraná (AEW-PR) publica nesta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, a terceira e última notícia da série “Nossa história”, cujo objetivo é divulgar um presente especial recebido pela instituição das mãos do presidente benemérito da Associação, Rubens Pinho, no segundo semestre de 2025. Foram entregues documentos históricos que ajudam a contar a história da AEW-PR.

E o destaque desta notícia é o jornal O Educandário, criado e organizado pelos internos do Educandário Curitiba e cuja primeira edição foi um número comemorativo do décimo aniversário de fundação dessa instituição. A publicação, com data de 25 de maio de 1952, relata o dia a dia do local, dos internos e de seus funcionários.

O Educandário Curitiba foi fundado em 25 de maio de 1942 e passou a receber os filhos que foram separados dos pais que tinham hanseníase. A história da instituição se entrelaça com a da Associação Eunice Weaver do Paraná. Isso porque o educandário funcionava no terreno da atual sede da AEW-PR — na época denominada Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra —, no bairro Bacacheri, em Curitiba.

As atividades do Educandário Curitiba perduraram até o final da década de 1980, quando o governo federal determinou o fim do isolamento e das internações compulsórias para as pessoas com hanseníase. Mas até chegarem os anos 1980, o dia a dia dos internos era intenso — e isso foi relatado no jornal.

A primeira edição

O EducandárioO primeiro número de O Educandário contou com um texto de abertura entusiasmado. “Para nós, alunos deste Educandário, [o jornal] é e será uma grande realização. Uma das maiores realizações a favor do nosso bem-estar. Nele fica gravada a situação dos pupilos de uma grande sociedade brasileira, uma das maiores e mais completas obras de Assistência Social. […] A felicidade, de nós internos, é imensa e profunda, não havendo palavras que possam expressá-la bem”, dizia a publicação.

Ainda na primeira página, ganhou destaque um texto em homenagem à Eunice Weaver, descrita como detentora de “um coração magnânimo e uma bondade sem par. […] É nesse coração um verdadeiro escrínio onde estão encerrados tesouros de bondade e generosidade sem limites”. O jornal também relatou uma curiosidade: Eunice Weaver doou cem pintinhos para a granja do educandário. Os pequenos animais foram transportados do Rio de Janeiro para Curitiba e bem cuidados por Luizito, Antônio e Joãozinho, que eram os responsáveis pela granja.

A história do educandário

A primeira edição do jornal detalhou, em textos assinados pelos internos, a história do Educandário Curitiba. Descreveu, por exemplo, seus espaços, como os pavilhões, as salas de aula, os dormitórios, o refeitório, o pequeno parque com balanças e escorregadores, os consultórios médicos, a biblioteca, a farmácia, o gabinete dentário, a creche e a sala de ginástica — espaço esse que era bastante utilizado nos dias de chuva para as crianças brincarem. Tudo isso tendo o contorno acidentado da Serra do Mar visível no horizonte.

A publicação lembrou os aniversários de diversos internos e celebrou os dez anos de muitas vitórias e dificuldades vencidas no Educandário Curitiba. O documento apresentou, ainda, o hino da instituição, que tem letra da poetiza paranaense Helena Kolody e música do maestro Antônio Melillo. Na letra do hino, o educandário é descrito no coro como: “Lar aprazível nós temos/No Educandário risonho/Onde reunidos vivemos/Para o estudo e para o sonho.” E na última estrofe, palavras de esperança: “Alma forte e decidida/Coração bondoso e puro/Iremos de fronte erguida/À conquista do futuro.”

Além de marcar o aniversário do Educandário Curitiba, o quinto mês do ano também tem outra data importante para todo o Brasil. Em 13 de maio de 1888, foi assinada, pela Princesa Isabel, a Lei Áurea, que abolia a escravatura no país. E o assunto tão relevante não ficou de fora da primeira edição de O Educandário. Um texto bastante sensível, assinado por uma das internas da instituição, abordou o tema e finalizou assim: “É justíssima tal comemoração que lembra a liberdade de uma raça oprimida pela ambição criminosa de gente que se dizia civilizada.”

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Confira a seguir fotos do jornal O Educandário.

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