
Hanseníase: o controle da doença começa com o fim do preconceito!
O folder traz informações importantes sobre hanseníase, como o que ela é, o que ela faz e o seu tratamento.
A Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) lançou recentemente um documento com orientações para pacientes em tratamento de hanseníase no contexto da pandemia do coronavírus (COVID-19). O material é resultante de um trabalho feito por um grupo de hansenologistas da SBH e está disponível nas versões em português e inglês. Nele, é mostrado como os médicos dizem acreditar que a doença de Hansen e a COVID-19 podem interagir. O trabalho já está sendo compartilhado por entidades de Dermatologia e Hansenologia estrangeiras.
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial da hanseníase, perdendo somente para a Índia em número de casos. São diagnosticados, anualmente, cerca de 30 mil casos novos, mas a Sociedade Brasileira de Hansenologia alerta, em estudos publicados em revistas científicas brasileiras e estrangeiras de prestígio, que a doença ainda é subdiagnosticada no país. “Como não são avaliados os contatos dos pacientes, não há mais ensino sobre a hanseníase nas universidades e falta capacitação dos profissionais da atenção básica à saúde no Brasil, a SBH estima que cerca de 120 mil doentes estejam sem diagnóstico para a enfermidade no país”, alerta o presidente da Sociedade, Claudio Salgado, dermatologista, hansenólogo e doutor em Imunologia da Pele pela Universidade de Tóquio. A hanseníase é uma doença causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, que entra nos nervos periféricos, causando inflamação, com perda da sensibilidade e das suas funções.
Por isso, a sociedade médica, que completa 72 anos em 2020, decidiu editar o documento. “Trata-se de um material com linguagem acessível e direta para o paciente e seus familiares sobre direitos da pessoa em tratamento e orientações sobre esses direitos dos pacientes. O texto tem como objetivo prevenir complicações de saúde para este público, que, em sua maioria, vive em condições de vulnerabilidade social”, explica Salgado.
O documento da Sociedade Brasileira de Hansenologia alerta que a hanseníase pode interagir com a COVID-19 e os sintomas podem vir de qualquer uma delas. Por isso, pede para que a pessoa que tem hanseníase informe o médico e relate se está usando medicamento relacionado à hanseníase, sejam antibióticos, como os da poliquimioterapia (PQT), ou medicamentos para tratar reações.
Dapsona
A dapsona, medicamento utilizado para tratar a hanseníase, pode causar falta de ar grave e cansaço, pois pode causar anemia em alguns pacientes. A preocupação dos especialistas é que essa reação possa confundir o médico com os sintomas da COVID-19.
Coinfecção
Outro alerta é que são desconhecidas as consequências da coinfecção da hanseníase com tuberculose ou HIV e COVID-19, assim como a superposição da hanseníase, gravidez e COVID-19. Os médicos avisam que as pessoas nessas condições devem estar mais alertas a novos sintomas e que precisam solicitar ajuda médica, quando necessário.
Reações
Sobre as reações da hanseníase, outra grande preocupação dos hansenólogos, o documento alerta que elas devem ser tratadas como situações de emergência e descreve:
“Dependendo do tipo de reação, você pode precisar de medicamentos ou mesmo de cirurgia para controlar a dor e a degeneração dos nervos. Os serviços de saúde especializados devem fornecer seus tratamentos no tempo adequado. Os principais medicamentos utilizados são corticosteroides e a talidomida, que agem no seu sistema de defesa (sistema imunológico), e isso pode ser importante no curso da COVID-19. O seu médico talvez precise trocar esses medicamentos ou alterar as suas dosagens, conforme sua situação específica, com a possibilidade de você também poder se infectar pelo coronavírus e desenvolver a COVID-19, pois você poderá ser considerado como um paciente imunossuprimido e do grupo de risco para COVID-19. Lembre-se de que a talidomida não pode ser usada durante a gravidez”.
Direito a cirurgias
O texto da Sociedade Brasileira de Hansenologia diz que se a cirurgia for necessária, a fim de evitar mais incapacidade ou sofrimento, o serviço de saúde poderá ter que realizá-la. E orienta o paciente: “Você deve discutir isso com a equipe médica e garantir que seus direitos sejam salvaguardados. A produção e a entrega de órteses e próteses devem ser mantidas, dependendo da situação do sistema de saúde nesta crise. Materiais de curativos podem ser dados ao paciente para cuidar de suas feridas em casa”. O documento ressalta, ainda, o papel das ONGs que estão atuando de forma a colaborar para que a reabilitação e o fornecimento de dispositivos auxiliares, como órteses e próteses, sejam mantidos.
A SBH salienta a importância dos determinantes sociais da hanseníase na saúde da população brasileira e mundial. “A crise da COVID-19 evidencia a importância da promoção da saúde, por meio da melhoria das condições de vida da população, que inclui o acesso de todos aos serviços de saúde, como proposto pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Clique aqui e confira o texto na íntegra.

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