
Hanseníase: o controle da doença começa com o fim do preconceito!
O folder traz informações importantes sobre hanseníase, como o que ela é, o que ela faz e o seu tratamento.
Por Kaelaine Olive, do Jornal da USP
O Questionário de Suspeita de Hanseníase (QSH) tem sido distribuído à população que busca uma das 47 unidades de Atenção Primária da Saúde em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. O objetivo era chegar a 2 mil questionários respondidos na cidade ao longo do mês de janeiro deste ano e cerca de 15 mil questionários em todo o país. Essa é uma tentativa de retomar o controle da doença, perdido em função da pandemia da COVID-19.
Marco Andrey Cipriani Frade, coordenador do Centro de Referência Nacional em Hanseníase e Dermatologia Sanitária (CREDESH), dermatologista e docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu o questionário junto com pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da FMRP. O QSH é simples e contém 14 questões que abordam sintomas típicos da hanseníase e que ficam por muito tempo quase despercebidos e sentidos pelos pacientes. “Ele foi pensado no sentido de tornar-se um instrumento que possa ajudar os profissionais de saúde a fazer o diagnóstico da forma mais fácil”, explica o médico.
De acordo com o dermatologista, esse é um esforço para retomar o controle da doença após a pandemia da COVID-19. “Até o ano de 2019, nós tínhamos 28 mil casos novos no país, porém com a pandemia houve uma redução absurda do número de casos, cerca de 10 mil. Ou seja, passamos a diagnosticar em torno de 18 mil casos novos e isso tem se mantido nos últimos anos. Quatro anos após a pandemia, nós temos 40 mil diagnósticos que não foram detectados nas unidades de saúde do Brasil”, observa Frade.
Em Ribeirão Preto, a realidade é diferente do cenário nacional. “É importante falar que em Ribeirão Preto o número de casos não sofreu a queda que nós tivemos no Brasil, porque, desde 2018, a Secretaria de Vigilância Epidemiológica do município tem trabalhado em parceria com o HC. Temos treinado as equipes de Saúde da Família do município desde então”, pontua.
Segundo Frade, esse treinamento constante permitiu que a cidade não sentisse os efeitos da pandemia com relação à hanseníase, e, por isso, não houve redução do número de casos por não notificação. “Pelo contrário. Em 2021, tivemos um número muito grande de casos, o que mudou o perfil epidemiológico da cidade”, assegura.
A hanseníase é uma doença contagiosa e infecciosa que afeta os nervos e pode causar lesões na pele, nos olhos e no nariz por conta de microrganismos bacterianos. Se o tratamento não for realizado corretamente, a enfermidade pode levar o paciente a ter lesões irreversíveis e incapacidade física. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais registram casos novos da doença.
Os principais sintomas da hanseníase são dormência nas mãos e nos pés, dores nos nervos e cãibras. O sinal mais clássico são as manchas na pele, que podem variar de manchas esbranquiçadas até placas avermelhadas. Essas lesões apresentam alteração de sensibilidade, que vai da diminuição à perda total da sensibilidade ao calor, ao frio e à dor. “Temos que lembrar que a hanseníase pode acometer também os nervos motores”, acrescenta Frade.
A hanseníase é contagiosa e passa da pessoa com a doença para o indivíduo saudável por meio das vias aéreas respiratórias. “Um grande fator de propagação da doença é a pessoa conviver com quem tem a hanseníase e não se tratar, principalmente quando os pacientes apresentam carga bacilar mais alta. O grande problema da hanseníase é o convívio em aglomeração de pessoas. Ou seja, se tiver um indivíduo doente, o risco de transmissão aumenta. A ferramenta mais efetiva que nós temos para controlar essa transmissão é fazer as campanhas de busca, onde estão essas pessoas com a doença e tratá-las o mais cedo possível”, detalha.
O tratamento da hanseníase é feito à base exclusivamente de antibióticos. “Nós temos um kit, constituído de três antibióticos. Infelizmente, é o único tratamento que nós temos e ele é usado há mais de 40 anos. Então, são drogas antigas, mas ainda são eficazes na maioria dos casos. Encontrado em toda a rede SUS [do Sistema Único de Saúde], o tratamento varia de seis meses a 12 meses de duração”, afirma o médico.
Frade alerta que o Questionário de Suspeita de Hanseníase é utilizado ao longo de todo o ano, nas visitas domiciliares feitas pelos médicos de Saúde da Família. “Além disso, existe a campanha Todos Contra a Hanseníase, que é um canal para obter informações”, conclui.
*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior
Fonte: Jornal da USP

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