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Pesquisadora do Mato Grosso faz ciência avançar no tratamento da hanseníase

RTEmagicC_professoraunemat02.jpgA  professora mato-grossense Denise da Costa Boamorte Cortela, formada em 1988 no curso de odontologia da Universidade de São Paulo (USP), descobriu em um estudo inédito que pacientes em tratamento contra a hanseníase ou que já tiveram a cura precisam ter, além de acompanhamento médico, o odontológico.

Em janeiro desse ano, a medicina preconizava que o tratamento contra a hanseníase deveria ser feito apenas com o uso de antibióticos e anti-infecciosos que combatessem as lesões da pele. Mas a pesquisa feita pela professora e coordenadora do curso de Medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), apontou que o combate à doença passa também pelos cuidados com a boca. “Em dois anos de pesquisa, ficou evidente que a hanseníase pode piorar o quadro clínico do ex ou portador da doença se ele estiver com problemas dentais, como cáries, infecções ou reabsorção óssea”, explica a odontóloga.

Após a descoberta, o Ministério da Saúde (MS) divulgou a Portaria 149/2016, que orienta os profissionais da saúde a encaminhar pacientes om hanseníase para uma consulta odontológica e orientá-los quanto à higiene dental. O manual do MS afirma que a boa condição de saúde bucal reduz o risco de reações hansênicas – caracterizadas pelo aparecimento de inchaço, caroços, manchas vermelhas, febre e dor no corpo ou nas regiões dos nervos afetados.  “Se o paciente tem doenças bucais não tratadas, essas reações podem aparecer após o fim do tratamento ou muito antes dele descobrir ser portador da doença”, acrescenta a médica.

Pesquisa

Para chegar a essa correlação entre hanseníase e saúde bucal, 82 pessoas passaram pela pesquisa que envolveu pacientes de três municípios: Cáceres, Várzea Grande e Cuiabá.  Eles passaram pela coleta de sangue, biópsia da pele e gengiva – nos casos mais graves – e radiografia odontológica.  Com a ajuda de pesquisadores do Instituto Lauro Souza Lima, de Bauru,  foi possível investigar cientificamente a expressão gênica dos mediadores inflamatórios.

Entre os pacientes pesquisados, dois chamaram a atenção da professora. Um deles foi um garoto de 11 anos, morador de Várzea grande, que desde os seis anos tinha hanseníase na região do joelho, mas a família achava que se tratava de um micose. A criança já havia passado por postos de saúde antes, porém sem receber o devido diagnóstico. Outro caso que a emocionou foi a de um homem de 37 anos, de Cuiabá, que estava em estágio avançado da hanseníase, e que sem saber, abrigava um cisto nos dentes. “Se ele não tivesse passado pela radiografia, talvez ele estaria até hoje com o cisto na boca ou em situação clínica pior”, aponta Denise.

A descoberta feita pela professora de Unemat nasce coincidentemente no Estado onde os casos de hanseníase ainda preocupam. De acordo com o Ministério da Saúde, Mato Grosso registra a maior prevalência da hanseníase no Brasil: a média no país é de 1,27 casos por 10 mil habitantes. Em Mato Grosso são 10,19 casos para 10 mil habitantes.

Fonte: Portal Amazônia