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Novo teste representa grande avanço para o diagnóstico precoce da hanseníase

Uma boa notícia vem do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz): a instituição está em vias de registrar um novo teste para o diagnóstico da doença. É um exame de biologia molecular, que busca com maior refinamento um bacilo com grande capacidade se manter oculto por anos. “Um teste rápido aumenta as chances de sucesso do tratamento, pois pode identificar casos de hanseníase no início”, explica o chefe do laboratório, Milton Ozório Moraes.

A falta de detecção precoce ainda é um dos maiores obstáculos à eliminação da hanseníase, pois, por se tratar de uma enfermidade lenta, os sinais iniciais são sutis, como dormência, formigamentos e pequena perda de força. As lesões na pele demoram para aparecer. Tampouco o bacilo é fácil de identificar no sangue, pois, no início, ele se apresenta em baixa concentração e se esconde nos nervos.

A equipe de Moraes também está desenvolvendo um aplicativo para auxiliar os profissionais de saúde no diagnóstico. O diretor do laboratório frisa que é fundamental treinar melhor esses profissionais no Brasil, mas espera que o aplicativo possa auxiliar no fechamento do diagnóstico. Assim, o médico poderá fotografar uma lesão suspeita e, por meio do app, poderá compará-la com outras imagens que constam em um atlas da doença.

Perfil da hanseníase

  • Causa: infecção pela bactéria Mycobacterium leprae.
  • O que provoca: lesões no sistema nervoso periférico, na pele, nos membros e olhos. É considerada um grave problema de saúde pública por seu enorme poder incapacitante. A pessoa afetada e não tratada sofre perda de sensibilidade protetora, o que a torna suscetível a acidentes, queimaduras, feridas, infecções e amputações. Tem diminuição da força muscular, perda de visão e pode sofrer deformidades e desfiguração, o que causa estigma e preconceito.
  • Número de casos: foram 26.800 casos novos somente em 2017 (número ainda em aberto pelo Ministério da Saúde). O Brasil é o segundo país no mundo em número de casos, atrás, somente, da Índia. Porém, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem taxa de prevalência mais alta que a indiana, com 1,09 caso por 10 mil habitantes, segundo dados de 2016.
  • Regiões mais afetadas: Centro-Oeste e Norte. Tocantins e Mato Grosso são hiperendêmicos, mas existem casos da doença em todos os Estados.
  • População mais afetada: os negros (pretos e pardos) representaram 71,7% dos casos da enfermidade no período de 2012 a 2016. E os brasileiros analfabetos ou com ensino fundamental incompleto, 55% das notificações.
  • Vacina: não existe vacina para hanseníase.
  • Transmissão: é uma doença de baixa transmissão. Essa acontece por meio do contato continuado com pessoas doentes e não tratadas. A bactéria é transmitida pelo ar, por meio do contato de gotículas de saliva, tosse e espirros. Pode permanecer por até nove dias no ambiente. Acredita-se que 90% das pessoas sejam imunes a ela.
  • Prevenção: diagnóstico e tratamento dos pacientes quando a hanseníase está na fase inicial. Os sintomas podem levar de cinco a dez anos para se manifestarem.
  • Tratamento: com antibióticos oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, porém, tem elevada toxicidade e precisa ser feito por seis meses a um ano.
  • Cura: sim. Mas pode deixar sequelas permanentes se não for diagnosticada e tratada em tempo oportuno.
  • Obstáculos ao controle: acesso ao diagnóstico precoce e persistência de condições de pobreza que favorecem à transmissão, como acesso à higiene e ao saneamento básico.

Fonte: O Globo