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Líder espiritual faz apelo contra discriminação

Crédito da foto: Adnan Abidi/Reuters em “The New York Times”

Seria difícil exagerar as calorosas boas-vindas dadas ao Dalai Lama quando ele recentemente visitou uma comunidade de pessoas afetadas pela hanseníase na Índia. O sentimento era claramente mútuo. “Queridos irmãos e irmãs, estou extremamente feliz de poder vir aqui para vê-los”, disse o líder espiritual para uma multidão de 500 pessoas na Colônia Kasturba Gram no Complexo de Hanseníase Tahirpur, em Nova Déli, no último dia 20.

Depois de apertar as mãos do máximo de pessoas que o tempo permitiu, o Dalai Lama fez um discurso que ressoou em sua audiência. “Sete bilhões de seres humanos são todos iguais”, afirmou ele. “As pessoas não deveriam desprezar as outras. Isso é totalmente errado. A discriminação é um pecado”, completou.

A discriminação é algo que as pessoas afetadas pela hanseníase conhecem muito bem. Sua doença os empurra para a margem da sociedade, lhes negando oportunidades de educação e emprego, destruindo casamentos e restringindo o acesso aos tratamentos de saúde e amenidades sociais. Mesmo depois do tratamento, o estigma pode durar por toda a vida.

Mediante os desafios da hanseníase, o Dalai Lama insistiu com sua audiência para nunca perderem a esperança e seguirem em frente com “coragem e autoconfiança”. Para demonstrar seu apoio, ele prometeu doar 1 milhão de rúpias (aproximadamente 16,4 mil dólares) para a Colônia Kasturba Gram, bem como parte dos royalties das vendas de seus livros durante os próximos cinco anos.

A Índia possui cerca de 850 colônias estabelecidas de pessoas afetadas pela hanseníase que abrigam até cerca de 200 mil pessoas. Reconhecendo a necessidade que essas comunidades têm de falarem uma só voz, em 2006, a Nippon Foundation apoiou o estabelecimento de uma rede nacional, atualmente conhecida como Associação das Pessoas Afetadas pela Hanseníase.

“A hanseníase não é hereditária. Não é altamente infecciosa. Não é uma doença perigosa”, ressaltou o presidente da Associação, Vi. Narsappa. “Não há necessidade de sermos isolados. Somos membros iguais da sociedade”, acrescentou. Ele apelou, ainda, para que o termo discriminatório “leproso” não seja usado.

A visita do Dalai Lama ocorreu após a sugestão do presidente do Conselho da Nippon Foundation e embaixador da Boa Vontade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, que salientou o seu significado. “Tenho certeza de que as palavras que ouvimos hoje de Sua Santidade darão um tremendo incentivo para as pessoas afetadas pela doença e suas famílias em toda a Índia e por todo o mundo”, concluiu.

Fonte: R7